Quem nunca cometeu um erro no início de carreira? Quem nunca escolheu a lente errada ou pensou que estava fazendo algo corretamente para mais tarde perceber que estava completamente errado? Entre tantos casos, ganhar preciosos conselhos de quem já está há um bom tempo no mercado e sabe como as coisas funcionam pode ser decisivo para seu sucesso.

Afinal, é através do conhecimento que nos aprimoramos como fotógrafos e como pessoas, e nada melhor do que descobrir o que pode dar errado com quem já percorreu essa estrada. O fotógrafo Allan Elly está há 10 anos fotografando de casamentos em Porto Alegre; com diversos prêmios internacionais atualmente atua como professor da Escola de Fotógrafos e ministra cursos e workshops.

#1 – Os 3 erros que cometemos no início de carreira

carreira

1. Achar que equipamento é o mais importante de tudo.

Por incrível que pareça seu equipamento não é o item mais importante em sua carreira na fotografia e esse é um dos primeiros erros que cometemos no começo da estrada pelo mundo da fotografia.

Para o cliente não faz diferença se você está usando uma câmera crop ou uma fullframe nem se sua lente tem abertura f/1.4 ou f/5.6. Ele quer que suas fotos possuam qualidade e isso não depende totalmente do equipamento usado.

Obviamente um equipamento adequado irá facilitar seu trabalho, mas encare isso como um bônus. O mais importante é seu conhecimento, visão e linguagem fotográfica e isso só se desenvolve com muito treino e prática.

Apenas troque de equipamento quando tiver certeza que é o equipamento que está te limitando e não a falta de conhecimento.

2. Achar que o grande problema das pessoas não te contratarem é o preço

O preço é um pequeno detalhe, acredite. No mercado há várias faixas de preço, desde o mais caro ao mais barato, por isso é necessário se posicionar e definir o quanto sua fotografia vale, contudo tenha em mente que SEMPRE haverá quem ache que cobra muito.

Preço não define se seu trabalho é bom, quando muito pode até ser usado como parâmetro, porém é importante ter consciência das suas limitações e precificar suas imagens de acordo com elas.

Nem sempre o cliente reclama do preço, ele reclama que seu trabalho não vale aquilo que pede porque seu erro é não saber vender seu trabalho. É preciso investir em marketing e em uma boa divulgação do seu trabalho. É necessário aprender a se vender como fotógrafo (e não estou falando de serviços sexuais hein, safadinho) porque isso é o que os fotógrafos menos sabem no início de carreira e até fotógrafos que já estão na estrada pecam nesse ponto.

3. Achar que meu trabalho é melhor do que do meu colega

É curioso que existe uma etapa na vida da maioria dos fotógrafos em que eles acham que sua fotografia é simplesmente o suprassumo do mundo fotográfico e que não existe nada que possa superar a qualidade de suas fotos.

No início da carreira apenas vemos as coisas boas e qualidade das nossas fotos ou do nosso trabalho negando completamente as falhas. É claro que os erros estão lá e precisamos enxergar que sempre haverá algo para melhorar

A supervalorização do seu trabalho não te levará a lugar nenhum, por isso seja crítico com você mesmo e jamais despreze o trabalho alheio.

carreira

#2 – Sendo um fotógrafo autônomo de sucesso garantido

Evitando esses 3 erros logo no início da sua carreira certamente sua fotografia poderá evoluir com mais facilidade. Entretanto, evitar erros é apenas uma parte do necessário para se tornar um fotógrafo autônomo de sucesso.

Disciplina, tempo para contatos, organização de arquivos, uma agenda que funcione e controle de sua contabilidade são funções que o fotógrafo tem que assumir inicialmente para trilhar o caminho do sucesso. Tudo isso aliado ao item principal: marketing pessoal.

Um profissional que tem consciência de sua capacidade e que busca convencer um determinado público da vantagem em ter em mãos um bom material é a chave para uma trajetória bem-sucedida.

Todavia, não basta ser um bom fotógrafo, nem dominar com perfeição a técnica. Ao visitar seus possíveis clientes ou ao receber um pedido de orçamento é fundamental convencê-los que seu trabalho é o trabalho que eles estavam procurando.

Ofereça então imagens que, por sua qualidade, possam cativá-los. Uma dica fundamental aqui é usar mais fotos coloridas do que fotos em preto e branco porque as cores chamam mais atenção, embora as fotos preto e branco sejam charmosas.

No processo de amadurecimento na carreira, o que se constata é que alguns profissionais, pela repetição de um mesmo tema, acabam dominando o assunto, quase como uma especialização, seja em gastronomia, joias, perfumes, roupas, objetos de arte, etc., enquanto outros são atraídos justamente por propostas sempre diferentes, enfrentando situações diversas.

Ambos os caminhos levam a uma dedicação acentuada, muitas vezes criada pela realização continuada de fotos para um mesmo cliente, formando quase um vínculo profissional. Escolha qual estilo te agrada mais (uma fotografia especializada ou diversificada) e se venda – não pense bobagens de novo – naquilo que faz de melhor.

Sobre o mercado de trabalho

Agências de publicidade, editoras, ou empresas jornalísticas, mesmo que possuam seus quadros de profissionais, eventualmente se servem de fotógrafos autônomos, seja em uma emergência, seja para matérias específicas.

Contudo há um setor que vem ganhando importância pelo uso que faz, a cada dia, desses profissionais: o e-commerce está em pleno desenvolvimento no Brasil. Pequenos e médios empreendedores buscam divulgar seus produtos sem o aparato e os custos de uma agência, além de usar a penetração da internet.

As fotos, que devem ser sempre de ótima qualidade, desempenham o papel central uma vez que atendem a uma grande diversidade de produtos, para uso nos mais diversos veículos e em contextos distintos. Com isso as principais características de um fotógrafo autônomo são a versatilidade, o conhecimento técnico e a capacidade de improvisação, que lhe permite encontrar sempre as melhores soluções e os resultados mais satisfatórios.

À primeira vista o mercado pode parecer saturado, mas estudos mostram que, com a adoção do e-commerce, na realidade ele guarda enormes possibilidades, com um vasto campo a ser explorado, que ultrapassa os seis milhões de possíveis clientes.

Hoje a figura do pequeno e médio empresário ocupa um lugar importante no mercado, buscando oportunidades de crescimento e expansão graças a iniciativas do governo, como a facilidade de crédito nos bancos oficiais e os programas do SEBRAE.

Tudo isso incentiva a busca por instrumentos de divulgação que se traduzem na criação de folhetos, catálogos, folders, banners, painéis, calendários, brindes diversos e espaços na Internet, com um largo emprego de fotografias, já que o foco do mercado está intimamente ligado à divulgação da imagem e à sua valorização como o elemento mais completo na linguagem visual, principalmente nas redes de franquia.

Em um passado não tão distante, a carreira de um fotógrafo autônomo apresentava enormes dificuldades: os espaços em estúdios eram poucos, assim como os laboratórios que revelavam o filme Ektachrome, da Kodak, que produzia os positivos, conhecidos como “cromos” e que por sua vez iriam compor os fotolitos necessários à impressão a cores. Assim, ser chamado por uma editora para uma foto era algo a ser comemorado!

Hoje com a fotografia digital, onde o profissional conta com o tratamento das fotos através de programas de edição, como Photoshop, Corel Draw ou o Illustrator. Esses programas permitem que o fotógrafo tenha pleno domínio de corte, enquadramento, realce de cores, sobreposição de imagens e o que mais necessitar. Tenho até 10 dicas de edição de fotos no Photoshop para melhorar qualquer imagem ruim e 6 ferramenta que uso quando vou editar fotos.

carreira

Como entrar no mercado de trabalho

A primeira ação é criar um arquivo de fotos, que não precisa ser muito extenso, mas que deve ser variado: paisagens, fotos industriais, still ou que mostrem sua criatividade e versatilidade como profissional. É bacana ter um portfólio desses online? Certamente. Preciso ter? Com certeza, mas invista em um portfólio impresso de boa qualidade valorizar ainda mais suas fotos e seu trabalho.

As fotos digitais podem dispor de novas formas de exibição, como CDs e tablets, com verdadeiros shows de montagem, todavia ainda assim, durante o último Salão de Franchising, no Riocentro (RJ), entre quase 200 expositores, 84% deram preferência às fotos impressas para a avaliação dos trabalhos e isso traz de volta o book, onde se destaca um elemento que raramente é lembrado, apesar da importância da sua escolha para a impressão da foto – o papel.

Os papéis fotográficos possuem vários tipos e marcas, como a Epson, a Pimaco, a Data Jet, a Spiral, a Syspaper, a Sistem e outras menos conhecidas. O tipo brilhante (cuidado com as digitais ao manuseá-lo), semi mate e mate têm a preferência, mas fuja do convencional, pesquise outros tipos nas lojas, e não se esqueça de algo muito importante: o papel deve ser compatível com a capacidade de trabalho de sua impressora ou da empresa que imprime suas fotos.

O importante é que o cliente se interesse por vê-los e projete a sua necessidade naquele material que lhe é apresentado, por isso total atenção nesse ponto.

A segunda medida é buscar a clientes. O fotógrafo autônomo necessita divulgar seus produtos seguindo o princípio: “se você não mostra o que faz, ninguém vai saber que você existe”.

Dentro desta linha de raciocínio, muito embora possa parecer ultrapassada como meio de divulgação, já que o retorno é considerado baixo, a mala direta ainda é mais usada do que se possa pensar, mesmo porque na maioria dos casos é o meio mais seguro de se chegar ao responsável pela área de marketing de uma empresa.

A terceira iniciativa é comparecer às grandes feiras. São Paulo e Rio possuem um calendário bastante variado onde se destacam a Feira de Utilidades Domésticas e o Salão do Automóvel no Anhembi, assim como a Feira da Providência, no Riocentro e o Salão Náutico, na Marina da Glória, onde sempre se consegue um bom número de contatos.

Recolha o máximo de impressos distribuídos pelos expositores e analise depois, com calma, o tipo de material de promoção apresentado nos stands, com a sua qualidade, com as suas falhas e que por vezes mostra uma outra opção para aquele trabalho ser muito mais proveitoso para esse provável cliente. Pode não parecer, mas essa análise ensina muito, e facilita uma posterior abordagem.

Os custos

No passado, o preço de uma foto demandava todo um cálculo complicado: era a produção da foto com modelos, pessoal de produção, acessórios e locações, o trabalho de laboratório (às vezes, tudo tinha que ser refeito), o aluguel do estúdio, a luz, o telefone, até o tamanho das fotos e uma série de outros componentes.

Hoje, embora ainda possam ocorrer alguns custos extras em uma foto, eles são raros e podem acontecer, por exemplo, pela necessidade de transporte do equipamento do estúdio ao local do trabalho. Isso, por certo, contribuirá para o preço final e esse detalhe deve ficar bem claro ao cliente, constando do contrato (que aliás ensino como montar um e disponibilizo um pack com modelos de contrato de graça)

Caso o profissional tenha condições de pesquisar os preços cobrados no mercado, a coisa fica mais fácil; do contrário, apele para o bom senso e não exagere. Considere seus custos, inclua neles seus gastos pessoais e ponha um percentual cabível, que pode estar em torno de trinta por cento.

Eu escrevi sobre quanto cobrar e como montar um orçamento realista usando parâmetros do dia-a-dia para compor um valor que seja justo para você e para o cliente.

Não tenha medo ou vergonha mostrar seu preço ao cliente, mesmo que ele seja um pouco mais alto que a concorrência. Lembra ainda dos erros a evitar no início da carreira? Valorize o seu trabalho, a sua arte, a sua técnica, o seu conhecimento, e conforme for melhorando e se especializando os preços irão se tornar mais equilibrados pela experiência adquirida.

#3 – Outros 5 erros que cometi no início de carreira

Eu não escapei de alguns erros quando comecei. Além dos 3 que citei no começo deste artigo, existem mais 5 que você pode e deve evitar que foram listados pelo Armando Vernaglia Jr.

O pior é que são coisas bobas e que podem ser ajustadas facilmente, por isso considere-se sortudo por poder ler esse texto. Certamente você terá menos dores de cabeça que eu ou o Armando se conseguir aplicar todas essas dicas.

1. Não carregar a câmera fotográfica o tempo todo

Ao deixar a câmera na estante você abre mão de treinar mais seu olhar seja qual for a situação em que estiver. Levando sua câmera para onde for você abraça todas as oportunidades que aparecem na sua frente.

2. Não ter seguro de equipamento fotográfico

Se você mora em uma cidade grande, as chances de ser assaltado são reais; principalmente quem gosta de fazer fotografia de rua. Para levar a câmera o tempo todo com você é necessário um seguro para ficar tranquilo e evitar o prejuízo.

O melhor de tudo é que esse tipo de seguro está se expandindo e não custa caro como imagina. Sem contar que vale muito a pena. O Verena oferece seguro de equipamentos fotográficos sabia?

Faça uma cotação online e simule quanto pagaria de seguro em seus equipamentos. O Eduardo vai cuidar do seu equipamento com todo o carinho que ele merece.

3. Não ter fotografado sempre em RAW

Mesmo em viagens não fotografe em JPEG. Sempre que possível use o RAW para usar todo o poder de pós processamento que esse formato permite. Tem um artigo que falo sobre os formatos de imagem e como eles podem influenciar na sua fotografia.

O JPEG vai economizar sim um espaço no seu cartão de memória, mas essa é uma economia desnecessária. Acredite.

4. Não comprar o melhor cartão de memória

Falando sobre cartões de memória (que explico melhor os tipos e quais são os mais interessantes para você aqui), investir no melhor cartão que seu dinheiro pode comprar é a melhor coisa que pode fazer pela sua fotografia. Cartão de memória não é gasto, é investimento!

Um bom cartão além de facilitar na hora de fotografar, pode evitar uma baita dor de cabeça como dados (fotos) corrompidas e erros de gravação que são fatais para qualquer fotógrafo.

5. Usar filtro UV na frente da lente

Eu já falei bastante sobre os filtros aqui no Verena e eles são ótimos acessórios para sua câmera, contudo usar o filtro UV foi um dos erros que eu recomendo que evite. Ele provoca muito flare e derruba a qualidade da lente. Você pode acabar ficando horas e horas editando as fotos para tirar os flares e sabe aquela sua lente caríssima com ótima óptica? Pode esquecer a qualidade dela se usar um filtro UV.

Apenas use esse filtro para proteger sua lente em alguma situação que realmente exija como respingos de água ou risco de sujeira atingir a lente. Fora isso não recomendo o uso do filtro UV.

#4 – Erros e sucessos andam juntos

Esses foram os erros que você pode evitar no começo da sua carreira que certamente vão lhe economizar dinheiro, tempo e paciência. Ser um fotógrafo autônomo de sucesso requer muita dedicação e um forte senso de marketing pessoal. Fotógrafo precisa ser RH, administração, pós produção e marqueteiro.

Começar a fotografar é apenas o começo. Evitar esses erros que citei já lhe garantirá ao menos certo nível de sucesso, mas lembre-se que ele depende totalmente do seu esforço e perseverança.

E você? Cometeu algum erro diferente desses citados no início da sua carreira? Compartilhe comigo que gostaria de saber das suas experiências também!

 

 

.

Algumas citações tiveram como fonte: iPhoto Channel, iPhoto, iPhoto Channel

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.