Criança Esperança. Você conhece esse programa televisivo. Todo ano temos uma nova edição que visa o recolhimento de recursos financeiros para o auxílio às entidades de apoio infantil. Independente de haver ou não desvio de dinheiro, quero me ater ao elemento principal: crianças e esperança.

Essa foto foi a que mais me chocou // by Sandra Hoyn

Essa foto foi a que mais me chocou // by Sandra Hoyn

Segundo relatório de 2012 do Índice de Desenvolvimento Humano publicado pela ONU, entre 1980 e 2012 o Brasil cresceu de 0.522 pontos para 0.730 e em relação aos países do BRIC o Brasil foi quem obteve o melhor desempenho. No mesmo período o Brasil aumento a expectativa de vida em 11,3 anos e a média de anos de estudo aumentou para 4,6!

Sandra Hoyn

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São números maravilhosos, embora o país tenha levado mais de 30 anos para chegar a esses níveis. Boa parte dessas estatísticas também foram positivas em outros países, porém, infelizmente, algumas nacionalidades se degradaram nesse mesmo período.

Sandra Hoyn

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Por que eu disse tudo isso? Todos sabemos que as crianças são o futuro de qualquer nação e delas depende a condução das políticas mundiais do amanhã. O IDH é apenas um dos indicativos do tipo de sociedade que estamos dando às nossas crianças. Em 2011 a fotojornalista alemã Sandra Hoyn estava de férias na Tailândia e compareceu em um campeonato de Muay Thai, aquele esporte famoso com técnicas utilizadas nas lutas de UFC aqui no ocidente. Até aí tudo bem.

Sandra Hoyn

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O que chocou a fotógrafa foi que essa competição era disputada por crianças de 6 anos de idade! Crianças de 6 anos se digladiando no ringue, fazendo de suas mãos e pés espadas. Sandra pediu autorização dos pais e criou um ensaio chamado “Die Kampfkinder” (Crianças Lutadoras).

Sandra Hoyn

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Ela ficou quatro semanas com as famílias fazendo fotos dos treinos. Segundo Sandra: “a coisa mais chocante para mim foi ver a pressão sobre essas crianças. Eles são o instrumento para os pais ganharem dinheiro, e eles têm que ganhar a luta porque os pais apostam muito dinheiro neles. Muita gente perde todo seu dinheiro em uma noite.”

Sandra Hoyn

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O pior disso tudo é que não existe idade mínima para praticar o “esporte”. Para fugirem da pobreza, os pais colocam os filhos para treinar desde muito pequenos. “Poucas dessas crianças será recompensada com fama, glória ou dinheiro” disse um dos treinadores à Sandra.




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A Realidade das Crianças

Essa atitude parece inaceitável para nós, ocidentais, porém se voltarmos nosso olhar para nosso próprio umbigo veremos que o trabalho infantil ainda afeta 3,7 milhões de crianças, segundo dados do estudo O Trabalho Infantil Doméstico no Brasil, divulgado pelo FNPETI – Fórum Nacional para a Erradicação do Trabalho Infantil. Esse número atinge a terrível marca de 150 milhões de crianças exploradas se considerarmos os países em desenvolvimento, segundo a UNICEF. Inforgráfico CriançasAtualmente o trabalho infantil tem diminuído e conta com a rejeição da maioria da sociedade, contudo, no passado isso era uma prática comum. Foi preciso muito trabalho de instituições como o Comitê Nacional do Trabalho Infantil para que esse cenário mudasse.

Lewis Hine foi um fotógrafo que se dedicou em documentar nos anos de 1900, a miséria e as péssimas condições de trabalho que os imigrantes europeus eram submetidos nos EUA, principalmente as crianças, o que contribuiu mais tarde para a criação da lei do trabalho infantil.

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Esse tema não é novidade, mas sempre me traz uma reflexão: que tipo de futuro esperamos com o presente que nossas crianças estão vivendo? Uma sociedade se constrói de ideais e ligações humanas, mas ao submeter nossas crianças a esse tipo de trabalho, tolhendo sua infância, amputando a inocência e destruindo a perspectiva de um Brasil melhor, de um mundo melhor sepultamos nosso próprio futuro.

 

  • Natália Guedes

    Muito bom seu artigo!! E você disse uma coisa muito triste, mas que também é bem verdade: “…tolhendo sua infância, amputando a inocência…” Quem dera todas essas crianças tivessem a alegria de viver em um lar onde sua maior responsabilidade fosse estudar e brincar.

    • Olá, Natália.

      Exatamente… essas fotos retratam um realidade cruel e nos faz refletir em que tipo de futuro daremos a essas crianças

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