Torneios individuais podem ser melhores do que esportes coletivos para quem quer começar na fotografia esportiva 

Seja na arquibancada de um estádio ou trabalhando nas laterais como profissional de fotografia, uma das atividades mais prazerosas para quem segura uma câmera é a de registrar a emoção dos eventos esportivos. Uma rápida pesquisa no Google irá retornar imagens cheias de emoção e velocidade.

O esporte é, sem dúvidas, algo que cativa multidões. Você pode se perguntar o porquê, mas a resposta é bastante fácil: ele não tem roteiro, tudo acontece ao vivo e mesmo o favorito pode muitas vezes cair num dia ruim. É exatamente por isso que as pessoas se envolvem tanto: porque elas se entregam de alma e coração na torcida, no resultado e numa expectativa que é completamente nebulosa. Mesmo o Barcelona de Neymar pode cair para o Celta num dia ruim do Campeonato Espanhol.

Se do lado da torcida o esporte emociona, o mesmo pode ser dito dos atletas. Só que em esportes coletivos talvez seja muito difícil captar o movimento ágil dos melhores do mundo – ou mesmo de uma competição local. Se eles estiverem parados o tempo, todo, o foco fica muito mais fácil (em todos os sentidos).

Justamente por isso os torneios individuais são interessantes para novos fotógrafos, como o caso do poker. Seus atletas – ou melhor, os jogadores na mesa – dispõe de um leque incrível de expressões faciais. Pode parecer que apenas a “poker face” aparece, como o senso comum apresentaria. Longe disso. Quando todas as fichas estão na mesa, a face fica tensa. Quando você consegue um pot de muitas fichas, a cara de satisfação é evidente.

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A ação num torneio de poker pode parecer difícil de ser percebida. Ao invés de um campo de vários metros quadrados de área, tudo acontece por meio das cartas na mesa. Com efeito, o poder do fotógrafo em contar uma história por meio de suas imagens fica ainda mais rico. Em todo esse contexto, um belo exemplo é de Carlo Monti (foto acima). Ele é o fotógrafo oficial nos torneios de poker pelo Brasil e América Latina para o blog da PokerStars.

Monti faz um belo trabalho ao compilar em seu trabalho a amplitude de emoções que podem estar presentes numa mesa. É curioso notar como a maioria das expressões faciais são de preocupação: os jogadores estão constantemente tentando realizar cálculos matemáticos e leituras dos oponentes para saber suas chances em suas mãos. Os raros momentos de relaxamento acontecem entre as mãos – seja em vitória ou mesmo “saindo” da mão cedo por ter cartas fracas.

Ao mesmo tempo, também é fácil fazer outras leituras apenas pelo que conseguimos ver pelas lentes de Carlo e de outros fotógrafos, como Neil Stoddart. Um bom exemplo é a foto abaixo, do polonês Dzmitry Urbanovich, clicado por Neil. Mãos juntas ao corpo, demonstrando tensão e possivelmente cansaço devido à maratona de mãos que os jogadores acabam tendo que passar em torneios com mais de três dias.

Dzmitry_Urbanovich

Nem mesmo Ronaldo, um dos melhores jogadores de futebol da história e que nos últimos anos após sua aposentadoria do futebol vem se dedicando às cartas, escapou da lente de Carlo Monti. Nesta imagem, a tensão volta a ser a temática.

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Por mais que o espaço de torneios possa parecer reduzido às mesas quando contamos uma história – e as fotografias são elementos jornalísticos para contar histórias na maioria das vezes, essa mesma história pode ser facilmente contada de outros ângulos. Exemplo bastante notório – e que pode ser aplicado em outros eventos esportivos – é esta fotografia:

BSOP-MILLION-2014-5861

Veja como Monti capta exatamente o ambiente de tensão no ar – os jogadores apresentam todos a mesma postura corporal, com os olhos fixados à mesa e raramente olhando um para os outros de maneira mais amistosa. O clima de competição é latente!

Além disso, a imagem é excelente para demonstrar o crescimento do esporte no Brasil. Esta imagem em questão foi capturada em 2014 na BSOP Millions, a edição do circuito brasileiro de poker com maior premiação e com número cada vez maior de inscritos – nesta em questão foram 2749, recorde.

Mas já falamos demais. Veja por seus próprios olhos alguns exemplos do trabalho de Carlo Monti, os quais podem ser belos guias para quando você for trabalhar (ou se divertir) com eventos esportivos.

Por Murilo Bittencourt

 

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