A fotografia é fácil, né? Você simplesmente pega sua câmera, aponta na direção do que quer fotografar e pressiona o botão do obturador. Entretanto, você sabe que não é bem assim que a coisa funciona. Existem diversos níveis de dificuldade na fotografia e fotografar estrelas está em um dos níveis mais avançados.

Tenho certeza que já tentou fazer fotos da lua e saiu frustrado. Ela virou aquele pontinho luminoso no meio do céu escuro? Bem diferente do que seus olhos estão enxergando. O mesmo vale para as estrelas.

Eu vou te dar algumas dicas sobre os melhores controles manuais para sua câmera, como a velocidade do obturador usar, abertura e controle ISO para fotografar estrelas. Também recomendo fortemente usar RAW para fotografia noturna, pois permitirá uma pós edição mais eficiente. Se você não sabe o que é RAW, eu escrevi um pouco sobre os formatos de imagem.

Estrelas

O QUE VOCÊ PRECISA
Condições

Fotografar estrelas requer muita paciência e tempo, por isso essas são as primeiras qualidades que você precisa desenvolver antes de qualquer coisa. É necessário muita paciência com o céu nublado, com as várias fotos ruins, com o equipamento que não “presta” assim como são necessárias horas e mais horas para conseguir a foto perfeita.

Equipamentos

Depois disso podemos pensar nos equipamentos. Basicamente serão necessários um tripé de qualidade, uma câmera com controles manuais (especialmente o modo Bulb) e uma lente grande angular de preferência com aberturas maiores que f/2.8

Local

Encontrar o local certo e considerar o clima são tão importantes quanto seu equipamento. É necessário estar longe de qualquer luz que não seja a luz natural do céu estrelado (sem lua hein… ela é como se fosse um sol e vai prejudicar sua fotografia) e em um ponto alto ou com campo de visão limpo. Obviamente o tempo ideal é aquele sem nuvens ou neblina para uma boa visualização das estrelas.

Não é coincidência que a maioria das fotos de estrelas são feitas em locais completamente despovoados. Olhe no Google Imagens que perceberá esse ponto em comum. Eu digo isso porque talvez a foto de estrelas que está tentando fazer na laje da sua casa não está dando certo por causa desse pequeno detalhe.

Estrelas

CONFIGURAÇÕES DA CÂMERA

Eu sugiro tentar focar na estrela mais brilhante que encontrar, mas se isso não funcionar, use o foco infinito. Não se esqueça de mudar o foco para foco manual (MF). Se não mudar e deixar no foco automático (AF), vai ter que ficar focando constantemente toda vez que pressionar o botão de disparo.

Muita gente se esquece de alterar o balanço de branco para “tungstênio” e acaba estragando a cor das suas imagens – cores quentes geralmente dão a impressão de céu sujo/poluído. Usando o balanço de branco “tungstênio” você vai conseguir criar imagens com tons azuis

Comece usando uma exposição de 2 ou 3 minutos com ISO alto e abertura máxima. Faça várias fotos de teste até acertar os parâmetros.

Porém cuidado.

Usando ISO alto o ruído criado pode facilmente diminuir a qualidade das suas imagens, por isso uma forma de controlar isso é tentar usar o modo Bulb, maior abertura que sua lente puder e ISO 200 para uma exposição mais longa. Teste e verifique o resultado.

Estrelas

RASTRO DAS ESTRELAS

Um tipo de foto bacana de se fazer é registrar o rastro das estrelas. Na verdade, as estrelas estão paradas e o que registramos é o movimento da terra, mas como pessoas morreram no passado por conta dessa afirmação é melhor eu não comentar muito este fato.

Se quiser fazer um startrail (fica chique falar assim né?), você pode usar múltiplas fotos (e na pós edição mesclar todas em uma única imagem) ou fazer tudo em um único disparo.

Se o disparo único for sua opção, saiba que o tempo determina o rastro das estrelas, mas a aparência desse rastro é determinado pelo comprimento focal da lente, ou seja, em uma exposição de 30 minutos o rastro vai parecer maior com uma lente 50mm do que com uma lente 10mm.

Eu prefiro usar várias fotos para depois mesclar no Photoshop mesmo que esse método dê mais trabalho porque, dessa forma, eu posso usar grandes aberturas e ISO baixo para diminuir o nível de ruído na imagem.

O ruído geralmente aumenta com o tempo de exposição, mas você só precisar se preocupar com isso depois dos 30 segundos de exposição e ISO acima de 800. Fora isso você não terá muito problemas.

Um truque seria fazer algumas fotos escuras do céu (aquelas que você deletaria da sua câmera) para ajudar no controle do ruído quando mesclar as imagens. Outra dica valiosa que posso te dar é ficar esperto com a bateria da sua câmera porque, usando o modo Bulb e o visor LCD da câmera, a energia será consumida rapidamente.

Nem preciso falar da importância do cartão de memória né? Além de comprar o certo é essencial que haja espaço suficiente nele para armazenar tantas fotos grandes – ainda mais se elas estiverem em RAW.

Compondo

Eu particularmente gosto de contextualizar a fotografia de estrelas de forma que não seja apenas uma foto do céu estrelado. Vale muito a pena incluir um elemento no primeiro plano como uma construção, uma árvore ou um ambiente iluminando esse elemento com um flash ou luz contínua.

Tome cuidado para que a iluminação do elemento no primeiro plano não prejudique as estrelas. Elas são o assunto da sua foto e não podem ter a atenção dividida com o primeiro plano, por isso muito cuidado no uso da luz. Não se esqueça de usar o balanço de branco em “tungstênio” ou um papel amarelo ou dourado (papel gel) no flash para modificar a cor dele.

Editando

Depois de ter feito as fotos é hora de editá-las! Eu recomendo um programa grátis chamado Startrails, disponível em www.startrails.de caso não tenha o Photoshop. Ele é bem simples bastando importar as imagens e executar para ele renderizar tudo.

Se tiver o Photoshop, saiba que existem Actions gratuitas para criar o rastro das estrelas de forma automática bastando pesquisar no Google para encontrar. Aqui tem uma que já vou deixar com você.

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FOTOGRAFANDO ESTRELAS COM A LENTE DO KIT

Se você possui uma câmera DSLR normal e está interessado em fotografar estrelas, saiba que pode fazer isso com a lente do kit. Essa mesmo que todo mundo diz que é ruim e geralmente deixam guardada na mala.

Vou explicar todo o processo passo a passo da maneira mais fácil possível, de modo que, mesmo que não tenha muito conhecimento técnico, você entenderá e implementará esse método tranquilamente.

Como disse acima você precisa de um local com quase nada de luz artificial (cidade), uma noite limpa (nuvens e/ou névoa) e sem lua. Precisa de um local com um primeiro plano bacana para compor a imagem e muita paciência.

Agora vamos para a parte importante, as configurações da câmera. Obviamente você precisa ter total controle da sua câmera, por isso use o modo manual e formato de imagem RAW.

Comprimento focal

Use a distância focal mais ampla que puder – no caso da 18-55mm é usar a lente em 18mm. É claro que você pode escolher qualquer distância focal que desejar, mas quanto mais aumentar o zoom (quanto maior for a distância focal), menos estrelas você poderá capturar e seu tempo de exposição diminuirá.

Abertura

Definir a abertura para a maior possível é o segredo aqui – no caso da 18-55mm é f/3.5. Ao usar a maior abertura possível, mais luz entrará através da lente.

Velocidade do obturador

Comece com 20 ou 30 segundos para os primeiros rastros começarem a aparecer, dando a aparência de estrelas maiores e sem foco. Não se esqueça de usar um disparador remoto ou o timmer de 2 segundos para não correr o risco do movimento de pressionar o botão trema a câmera.

ISO

Comece com o ISO em 1600 e aumente depois, dependendo de seus resultados. Tenha em mente que quanto maior o ISO, mais ruído haverá na sua imagem, por isso não abuse. Teste.

Foco

A lente do kit não tem marcação de foco infinito, por isso tente focar em algum ponto bem distante, ajuste o foco, desligue o auto foco (AF) e teste fotografando o céu. É possível até fotografar a via Láctea!

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Dica

O segredo é usar a Regra 500. A melhor exposição que pode conseguir será o resultado da divisão de 500 pela distância focal utilizada, ou seja, 500 dividido por 18 = 27,78 dividido por 1,5 = 18,52 (aproximadamente 20 segundos). Essa segunda divisão (por 1,5) é por causa do fator de corte das câmeras crops, se estiver usando uma fullframe, basta dividir 500 pela distância focal usada.

Dica

Desligue a “Redução de vibração” ou “Estabilização de imagem”, pois a vibração dos motores pode causar vibração na imagem também. Que loucura né?

Como fotografar estrelas e usar a lente do kit para fazer boas fotos

Fique pelo menos 15 minutos no escuro olhando para o céu para que seus olhos se acostumem com o ambiente e possa enxergar melhor. Assim poderá compor sua imagem na sua cabeça. Lembre-se: a fotografia começa dentro de nós.

Não se preocupe com o resultado da foto. A 18-55mm não é nenhum primor de lente para fotografar estrelas, mas certamente poderá produzir boas imagens.

Sempre faça as fotos em RAW, use cartões de qualidade e um tripé estável. São esses pequenos detalhes que mais influenciam no produto final.

Espero que tenha aproveitado essas dicas e possa usar sua câmera com a lente do kit para fazer fotos das estrelas sem medo agora.

Eu sei que às vezes dá medo mesmo de tentar algumas coisas diferentes, mas é possível fazer muita coisa com a câmera que tem nas mãos e é isso que procuro ajudar os membros do clube do Verena a entenderem. Eles podem tirar suas dúvidas cruéis e aprender muito mais com ajuda personalizada que potencializa o aprendizado.

Conseguiu aplicar as técnicas que ensinei aqui? Conte-me sobre sua experiência nos comentários abaixo!

A Angélica curtiu este artigo.

Fonte: DPS¹, DPS²

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