Aprenda a fazer street photography de sua cidade com 4 dicas simples

Eu aposto que sua cidade tem coisas, lugares e pessoas muito bacanas de serem fotografados. Eu moro em São Paulo e pelo tamanho da cidade é possível ter uma noção da quantidade de fotos que podem ser feitas por aqui para retratar a vida paulistana: Avenida Paulista, MASP, Parque Ibirapuera, Memorial da América Latina e uma infinidade de outros lugares.

A fotografia de rua (ou street photography na língua bárbara) é aquela que registra a cultura local, eventos, arquitetura e/ou retrata pessoas em cenas do seu dia-a-dia. A fazer street photography tem aspecto temporário registrando cenas passageiras e/ou corriqueiras.

Acho que a ideia central da street photography é comunicar a sensação de estar naquele lugar, naquele momento, mas admito que o conceito é muito amplo e a sua classificação varia de pessoa para pessoa podendo se confundir com o fotojornalismo, fotografia de viagens e fotografia documental.

street photography

O engraçado é que a street photography não é necessariamente fotografia feita na rua nem precisa ser tecnicamente perfeita, mas pelo contrário: as “imperfeições” – foto desfocada, tremida, objetos ou pessoas cortas – podem ser exatamente o toque especial na imagem, senso de autenticidade ou realidade.

Esse segmento da fotografia, embora seja aparentemente fácil de começar – e que atrai muitas pessoas – possui alguns nomes de peso como Robert Capa que marcaram a história ao mostrar que a fotografia de rua não é tão simples assim e tem infinitas possibilidades. Para o pessoal que não curte muito história e coisa velha saiba que existe gente nova virando referência nesse ramo como Eric Kim, Yanidel e Zack Arias. Vale a pena conhecer o trabalhos desses monstros da street photography.

Chega de ficar enrolando você e vamos às 4 dicas que irão transformar sua street photography e leva-la para outro nível. Minha ideia aqui é mostrar como montar um ensaio completo de street photography, do começo ao fim, imaginando um passeio em sua cidade, saindo de sua casa até um destino qualquer. Acompanhe-me nessa viagem alucinógena que tive para escrever este artigo.

Dica #1 – Defina o contexto (layout do plano)

Pense nesta dica como um prólogo ou uma introdução de um livro. Inclua fotos da sua cidade procurando variar os ângulos; panorâmicas, closes e detalhes. Fotos que retratam “preparação” são muito interessantes porque transmitem a ideia de algo começando. Busque por pessoas que estão se preparando para algo como pegar um ônibus, tomar um café ou se locomover.

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Defina o humor da sua imagem. Se é um dia sombrio e chuvoso, faça fotos da chuva ou das nuvens de tempestade. Se for um dia ensolarado, registre fotos do sol, planos abertos do céu; explore as silhuetas (sombras). Mantenha os olhos abertos e olhe ao seu redor. O que você vê no caminho para o seu destino?

Quaisquer pontos turísticos são interessantes? Qualquer coisa fora do comum vale a pena ser registrada? Nada de especial ou sedutora? Nada de novo que você nunca viu antes? Ou talvez ele sempre esteve lá, mas você nunca se preocupou em olhar de perto o suficiente até agora.

Dica #2 – Pense em uma foto de abertura

Você já tem sua introdução, seu contexto, agora precisa do capítulo 1. Até agora você conseguiu o ambiente para suas fotos e vislumbres de seu personagem principal, pistas para o destino e trechos para sua história. Você precisa apresentar os personagens e mostrar mais de suas personalidades. Fazê-los brilhar e tomar o centro do palco.

Variar suas imagens, empregando ângulos diferentes; close-up, vista aérea valorizam o fluxo, o movimento (ou ausência dele se for esta a intenção). Há muitas maneiras de apresentar o caráter de uma pessoa enfatizando uma cor específica, objetos favoritos, acessórios, ação, marcas de identificação, etc., que não seja o retrato frontal tão comum… pense/fotografe fora da caixa, saia do óbvio – essa frase até parece comercial de TV – O óbvio nem sempre é o mais interessante.

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O que aconteceu quando você chegou ao seu destino? Será que os planos mudaram? Foram distrações e acontecimentos imprevistos que o levaram a tomar um caminho diferente ou você seguiu em frente sem parar? Houve algo no caminho?

Dica #3 – Injete de ação ou drama

Pode ser que nada aconteça de espetacular ou que cause “perturbação emocional” em seu passeio, contudo isso não significa que você não pode criar algo dramático ou notável. Você pode se concentrar em emoções particulares… elas sempre estão por aí. Se, por outro lado, houve muita ação, escolha algumas ações para definir momentos do dia, especialmente aquelas que provocaram a reação mais importante da cena.

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Adote uma postura de foto jornalista e registre o que acontece em sua volta sem pensar muito sobre o significado ou composição, em um primeiro momento. Confie em seus olhos! Não precisa se apressar, mas relaxe e desfrute o momento.

Quanto mais você se concentrar em algo, não importa quão pequeno seja, mais efeitos ele terá sobre você. Encontrar experiências nas coisas mais simples é um ótimo exercício para você que está escrevendo uma história por meio de imagens. Seja proativo e criativo.

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Dica #4 – Comece (ou não) o capítulo final

Em um livro esta parte é normalmente onde a ação diminui e a história chega ao fim depois que toda a emoção e drama aconteceram, portanto prepare sua “audiência” para a conclusão e final da história.

Busque imagens que expressem calmaria, planos abertos focados em cenas estáticas, porém se quiser registrar pessoas ou close-ups busque serenidade e cores suaves (o uso do P&B ajuda bastante nessa parte).

Entretanto, ao contrário da conclusão de um livro onde a trama é geralmente resolvida, esta parte, em um ensaio de street photography, pode ser uma reentrada no cotidiano da cidade. Algo simples como registrar alguém pegando os sapatos depois de uma longa e cansativa caminhada, beber um copo de água depois de um dia cheio de desafios, sol se pondo lentamente ou a lua crescente são ganchos para o dia seguinte.

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Acho que pensar em um ensaio de street photography como um livro ajuda bastante na composição das fotos. Basta buscar imagens que expressem a introdução, desenvolvimento e conclusão do que quer transmitir. Saber quando usar cores vivas, P&B, movimento, panorâmicas, cenas estáticas, planos fechado e detalhes são essenciais para fazer que sua história tenha sentido lógico aos olhos de quem vê suas imagens.

  • Leo Eurides

    Muito bom!!! sempre me encantei por imagens como a terceira do post, o asfalto molhado de chuva, refletindo as luzes dos semáforos e das fachadas das lojas, as cores, é algo inexplicável, bonito demais!!! Quero um dia ter a chance de fotografar uma cena assim…

    • É possível, Leo. Basta estudar e treinar muito, além de esperar por dias de chuva rs

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